Tempo

Para uns, amigo; para outros, um vilão temido.
Aquele que dá ritmo à vida
E nos apresenta, inexoravelmente, a finitude de tudo que vivemos.
Com isso, nos aponta o espelho,
O mais nítido de todos,
Com seus côncavos e convexos,
Que revela, sem retoques, quem realmente somos.

Às vezes, não parece ser justo e ponderado diante do amor e da dor.
Amores podem acabar antes do desejado,
E dores podem se estender para além dos nossos limites.
Mas sempre nos ensina que, quando mergulhados nesses sentimentos,
Vivemos as experiências mais intensas,
As que mais nos humanizam.

Nos elucida sobre as oportunidades vividas ou perdidas.

Sua passagem deixa equações matemáticas em nossos corpos:
Somas, subtrações, divisões e multiplicações de toda ordem.

É ele que nos apresenta o verdadeiro valor de quem nos rodeia,
Que nos convence a soltar ilusões e expectativas
E a agarrar o essencial.

É pena que sejamos alunos tão indisciplinados, às vezes ignorantes,
Tentando encontrar respostas em falsos e ilusórios elementos da vida.

Sábio é aquele que seu discípulo se torna
Antes de seu poente.

Não, não basta andarmos com relógios nos pulsos;
Precisamos aprender a dançar com seus ponteiros.

Que o TEMPO seja seu melhor presente de Natal
E companheiro de 2025.

Gabriela Casellato