O Luto

Seca a garganta
Come as palavras
Vira o estômago.

Ceifa a a poesia
Lentifica o corpo
Salga as lágrimas,
Bagunça a alma.

O luto

Quando precisa ser vivido
Se torna a feijoada do cérebro;
Nada mais pode ser digerido
Até que ele o seja.

O luto

Nos joga para o passado
Numa ruminação incessante
De memórias e elementos de
Uma ausência insuportável.

O luto coloca o futuro longe
Lá longe….
Numa passarela apertada e escura
Como um monóculo que projeta o passado e não o futuro.

E os enlutados?

Ah, entre a fragilidade e a sobrevivência
Buscam sentido para a vida, para a perda e o para o luto.
E cada um encontra alguma resposta no seu tempo e com
precisões singulares.

Muitos florescem nessa busca, outros murcham. Às vezes falta água, luz e ar para a fotossíntese necessária.

Em geral, o amor, de toda ordem, sempre ajuda. Vira adubo.