Quando a morte é em vida,
o desafio se torna ainda maior.
Além da tristeza, o enlutado se debate,
nega, barganha, tenta resgatar
o vínculo perdido — palpável, mas inalcançável;
presente, mas ausente.
Nesta despedida enovelada,
nasce o amargo gosto da rejeição,
e a montanha-russa dos afetos
atinge patamares insondáveis.
A falta de concretude cutuca,
às vezes, desperta a loucura.
Diante dos incessantes “porquês”,
dos “quando” e dos temidos “e se…”,
a agonia se aprofunda,
sem cessar.
Tanta energia se esvai
nesse constante debater interno,
que mal sobra força
para a vida que ainda pulsa.
Conviver com nossos mortos-vivos
é aceitar a (i)rreparável ausência/presença
daquilo que se foi —
mas insiste em permanecer.
Para quem se enclausura na dor,
o tempo congela,
a vida se estanca,
enquanto oportunidades se esvaem e a dor se torna ainda mais densa.
Quando a morte é em vida,
o desafio pode se tornar infinito:
uma espiral ambígua e sem fim,
que consome —
e paralisa.