Luto em vida

Há quem parta
sem ir.

Há quem permaneça
sem estar.

Corpos que seguem ao nosso lado,
enquanto a pessoa,
aos poucos,
escapa por caminhos
que já não conseguimos alcançar.

E há quem esteja longe,
irremediavelmente distante,
mas continue habitando
cada lembrança,
cada gesto,
num quebra cabeça incompleto.

Talvez essa seja
uma das dores mais difíceis de sustentar.

Porque nela
não há chegada,
nem partida.

Não há um adeus
nem um reencontro.

Uma espera desorientada.

O coração procura,
insiste,
chama pelo que conheceu.

Mas encontra apenas vestígios.
Fragmentos.

Ecos.

A saudade, então,
deixa de ser lembrança.
Transforma-se em companhia.
Uma presença silenciosa
que atravessa os dias
e dá nome
às morrências em vida.


Publicado em 27/07 de 2026