Reflexões

Saudade

Presença da ausência.Pode ser disparada por gatilhos,daqueles silenciosos e tolos,antes, invisíveis. Ou vir barulhenta,trazida por datasfelizes ou tristes. Mas, em geral, chega mansa,do nada,como quem não quer nada. Apenas para nos lembrarque a ausência segue presentee sempre seguirá. Gabriela CasellatoJaneiro de 2026Em um domingo cheio de presenças ausentes

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Bolhas

Bolha boa é a de sabão;quanto maior, melhor.Em cada uma cabem todas as cores.E a melhor parte —a mais divertida e esperada —é quando estoura e se espalha,espirrando em todos à sua volta,deixando um pouco de si nos outrose levando um pouco dos outros, agora misturados. Bolha social é o avessode uma boa bolha de

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Intimidade

Quando você se aproxima de alguém e se sente convidado a ficar,não por medo, nem por necessidade —mas por querência. Quando não se apressa a partir,não porque precisa,mas porque ficar é suficiente. Quando você cuida para manter,não por insegurança,mas por escolha. Quando se desnuda,Sem precisar de tanta coragem,não por urgência,mas por confiança. Quando se aconchega,se

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Morte em Vida

Quando a morte é em vida,o desafio se torna ainda maior. Além da tristeza, o enlutado se debate,nega, barganha, tenta resgataro vínculo perdido — palpável, mas inalcançável;presente, mas ausente. Nesta despedida enovelada,nasce o amargo gosto da rejeição,e a montanha-russa dos afetosatinge patamares insondáveis. A falta de concretude cutuca,às vezes, desperta a loucura. Diante dos incessantes

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O Luto

Seca a gargantaCome as palavrasVira o estômago. Ceifa a a poesiaLentifica o corpoSalga as lágrimas,Bagunça a alma. O luto Quando precisa ser vividoSe torna a feijoada do cérebro;Nada mais pode ser digeridoAté que ele o seja. O luto Nos joga para o passadoNuma ruminação incessanteDe memórias e elementos deUma ausência insuportável. O luto coloca o

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Tempo

Para uns, amigo; para outros, um vilão temido.Aquele que dá ritmo à vidaE nos apresenta, inexoravelmente, a finitude de tudo que vivemos.Com isso, nos aponta o espelho,O mais nítido de todos,Com seus côncavos e convexos,Que revela, sem retoques, quem realmente somos. Às vezes, não parece ser justo e ponderado diante do amor e da dor.Amores

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Paciência

O processo de luto é um longo processo que exige muito paciência.“Paciências” na verdade. Paciência com o mundo interno: Com tanto barulho silencioso que ecoa dentro do enlutado.Paciência com a duração da dor.Com o vai e vem de emoções.Com os pensamentos intrusivos.Com uma mente que não responde às tantas demandas urgentes.Com um corpo entorpecido.Com a

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O relógio do enlutado

Não é regido pelo “Cronos”,mas sim pelo compasso de cada amor. Não tem ponteirose seu ponto de partida,não tem vislumbre de chegada. Seus intervalos são completamente irregulares,confundidos pela arritmia severada dor dilacerante da despedida. São medidos pelas agulhadas da dor de encarar a falta do que foi perdidoe os desafios a serem enfrentados. Seu movimentoé invisível, desvalorizadoe

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Colcha de retalhos

A dor do luto rasga a gente em pedaços, tão pequenos que são incontáveis,tão profundos que são invisíveis, tão complexos que são inomináveis.  Temporariamente,nos tornamos um amontoado de retalhos da vida, de uma história, de nós mesmos.  Retalhos desordenados e amontoados que não fazem sentido.Até que nossos instintos começam a costurá-los. Surge então uma colcha.Uma linda colcha de retalhos.Com ela,quem sabe?Podemos nos aquecer

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